Você pode ter a observação mais genial do mundo (a alma) e a estrutura mais elegante (o esqueleto), mas se a sua crônica não tiver uma voz própria, ele será como um pássaro perfeitamente montado que jamais canta. A voz do cronista é sua assinatura, sua impressão digital no universo.
Tem dias que o mundo fica mais quieto. Não é um silêncio de paz, mas de ausência. É o que acontece quando uma das vozes mais inteligentes, sagazes e divertidas do nosso tempo se cala. A partida de Luís Fernando Verissimo deixa esse tipo de silêncio. Um silêncio que ecoa depois da última piada, da última sacada genial, da última crônica que nos fez rir e, no segundo seguinte, pensar.