Machado não só conversava com o leitor. Ele o agarrava pelo colarinho, o sentava à força na cadeira e o obrigava a assistir à autópsia do romance que ele mesmo estava escrevendo. E ele fez isso mais de um século antes de essa prática virar moda.
Hoje vamos falar daquele que talvez seja o truque mais delicioso e perigoso da ficção: o narrador não confiável. Sabe do que estou falando? Daquela voz que te pega pela mão, jura que vai te mostrar a verdade e, no meio do caminho, te apunhala pelas costas com um sorriso no rosto.