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Sabe quando os personagens explicam o óbvio um ao outro só para informar o leitor? É o vício do "As you know, Bob". Ricardo analisa como esse excesso de exposição quebra a verossimilhança e retira a autonomia de quem lê, oferecendo caminhos para transformar manuais de instruções em diálogos vivos e orgânicos.
Hoje, vamos falar sobre a anatomia da alma — ou, como chamamos tecnicamente, a caracterização de personagens. Imagine que descrever um personagem é como preparar uma receita: se você apenas listar os ingredientes (farinha, ovos, açúcar), terá uma lista de compras. Se você mostrar o aroma saindo do forno, o calor da assadeira e a crocância da primeira mordida, você terá um biscoito.
O leitor não quer uma aula; ele quer uma experiência. Ele não quer que você conte que a protagonista teve uma infância difícil; ele quer sentir o peso dessa infância nas ações dela, agora. E é para isso que serve uma das ferramentas mais elegantes e incompreendidas da nossa caixa de ferramentas: o flashback.