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Sabe aquele barulho que você ouve no meio da noite? Não o trovão ou o gato do vizinho, mas aquele estalo inexplicável que vem do cômodo ao lado. Aquele rangido no assoalho quando você tem certeza de que está sozinho em casa. Nossa primeira reação não é gritar. É parar. É ouvir. É tentar encaixar aquele som estranho na lógica do nosso mundo. "É só a madeira se assentando", dizemos a nós mesmos.
Cortázar era um mágico do subentendido, um arquiteto de labirintos onde a saída é sempre uma nova pergunta. E neste conto, ele nos convida para um lugar aparentemente inofensivo: a sala de espera de uma repartição pública. Um lugar de formulários, chamadas e uma espera entediante. Ou será que não?
Segunda vez - Julio Cortázar Não mais que os esperávamos, cada um tinha seu dia e hora, mas claro, sem pressa, fumando devagar, de quando em quando o negro López vinha com o café e então parávamos de trabalhar e comentávamos as novidades, quase sempre a mesma coisa, a visita do chefe, as mudanças em cima, as performances em San Isidro. Eles, claro, não podiam saber que estávamos esperando, o que se chama esperando, essas coisas deviam acontecer sem estardalhaço, ajam com ca