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Economia Radical da Palavra: Por que Preservamos a Voz do Autor?

  • Foto do escritor: Ana Amélia
    Ana Amélia
  • há 6 dias
  • 4 min de leitura

Atualizado: há 5 horas


Com licença, pessoal do Cruzeiro do Sul. Ana Amélia voltando para a segunda parte da nossa autópsia literária.

Se no post anterior nós enterramos o narrador e aprendemos que o silêncio do autor é o seu grito mais alto, hoje vamos mexer com a destilação. Muita gente acha que escrever poesia é "colocar sentimento no papel". Errado. Isso é diário de adolescente. Escrever poesia de verdade é Engenharia de Impacto.

E para falar disso, não precisei ir longe. Trouxe de novo a Prazeres. Ela não é só uma voz potente; ela foi nossa amiga e, mais importante para o caixa, nossa cliente fiel na Letra & Ato. Sim, ela usaou nossos serviços de revisão e consultoria, e o que vocês vão ver hoje é o resultado de uma parceria onde a gente não tenta "limpar" o abismo dela — a gente apenas ajuda a polir os espinhos para que eles perfurem com mais precisão.


A Fonética do Desejo: A Economia Radical de Prazeres


coração feito de teclas de máquina de escrever

A poesia da Prazeres não caminha; ela soca. Ela opera no que chamamos de Economia Radical da Palavra. Sabe aquele papo de "menos é mais"? Esqueça. Aqui, o menos é tudo. Ela reduz o mundo a fonemas e obsessões rítmicas. Ela não quer que você "entenda" o poema; ela quer que você vibre na frequência dele.

Vejam as três peças que separamos para hoje. Leiam com atenção, porque aqui não tem direito à devolução.



1. O Parafuso da Fonética do Gozo (Mais-que-perfeito)


A engenharia aqui é puramente fônica. Prazeres não está descrevendo o prazer; ela está construindo o prazer através da repetição obsessiva do sufixo -feito.


O truque: Notem o contraste entre "confeito" (doce, lúdico) e "putrefeito" (morte, decomposição). O desejo dela habita esse espaço entre o açúcar e o podre. O ritmo é um "martelo sensorial". Se nós, na Letra & Ato, mudássemos uma palavra para evitar a repetição, o feitiço quebraria. A força está na insistência.


Mais-que-perfeito

O meu corpo já satisfeito, 
amolecido como um confeito, 
vibrava com a mulher-feita, 
perfeita a malfeitos,  
a lábios putrefeitos 
e beijos contrafeitos.
Em um novo feito,
tumefeito como amor-perfeito, 
liquefeito em afeitos,
para ser mais-que-perfeito, 
refeito insatisfeito.
Bem feito!

2. A Identidade Gramatical (Nós dois)


Aqui a economia é cirúrgica. Ela define os personagens não por ações, mas por categorias gramaticais e adjetivos de impacto.


A sacada: Ela é "superlativa", ele é "cansativo". O "Nós" é um "breviário ordinário". Prazeres usa a gramática como uma arma de classificação social e emocional. É a redução máxima: duas vidas resumidas em nove versos curtos.


Nós dois
Ela, traço abrasivo,
pronome superlativo,
desvario destrutivo.
Ele, ranço coercitivo, 
pronome cansativo, 
itinerário vazio.
Nós, breviário ordinário
de desejos insaciados.
Dois outros nenhum.

3. O Contrato de Desilusão (Garantia ao Leitor)


Este é o manifesto ético da Prazeres. É onde ela diz: "não espere beleza".


O parafuso de choque: Quando ela escreve "anética, cago ilusões", ela está quebrando o pacto de "poesia bonitinha" que o leitor espera. Ela usa termos escatológicos ("cago") colados a termos acadêmicos ("dialéticas", "aritméticas"). O resultado é uma corrosão estética. Ela não quer o seu aplauso; ela quer que você sinta o ácido. E ela faz isso de forma extremamente concisa, Prazeres é uma escavador de sentidos. Para quem não sabe, anética significa sem ética e sem dor. Olha que preciosidade ela encontrou escondida em um dicionário.


Garantia ao Leitor
desértica,
engulo escravidões; 
anética, 
cago ilusões: 
dialéticas corrosivas, 
alienações criativas
de tuas aritméticas
herméticas.
Tudo agora teu, oh desilusão! 
E sem direito à devolução.


Takeaways


  • Obsessão Fonética: Uso de repetições rítmicas (-feito) para criar um efeito de transe sensorial no leitor.

  • Economia Radical: Redução da subjetividade a substantivos e adjetivos de alto impacto, eliminando narrações desnecessárias.

  • Contraste de Registro: Mistura proposital de termos chulos e acadêmicos para gerar choque e quebra de expectativa.

  • Contrato de Risco: Estabelecimento de uma postura agressiva perante o leitor, invalidando a passividade do consumo literário.


☕ Vamos Conversar?


O que a Prazeres faz — e o que nós ajudamos a lapidar na Letra & Ato — é o oposto do que se ensina em oficinas de "boa escrita". Ela não busca a harmonia; ela busca a verdade do ranhura.

Quando ela nos envia esses textos, nosso papel não é dizer "mude essa palavra forte" ou "essa rima está excessiva". Nosso papel é detectar se a obsessão sonora está funcionando. Se a "língua bífida" dela está afiada o suficiente. A revisão aqui é um ato de curadoria de potência.

Você tem coragem de ser radical assim? Ou o seu texto ainda está tentando agradar a todo mundo? Na Letra & Ato, a gente entende que o "bem feito" da Prazeres é um xingamento e um troféu ao mesmo tempo.

Se você quer que sua voz encontre esse nível de economia e força, peça nossa amostra gratuita. Prometemos não domesticar a sua fera.




A Estante da Ana


Árvore de Diana de Alejandra PizarnikPara entender a economia absoluta da palavra e como o silêncio e a morte podem ser esculpidos em versos curtos e cortantes.


Homenagem póstuma à Prazeres. Nós sabemos que, sem dúvida, Prazeres, você está no inferno se divertindo "pra caralho", como sempre quis e sempre dizia. Muito obrigado por todos os prazeres que vivemos juntos. Leia mais posts da Série Prazeres ↗️.



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